Hoje, quando olho para o mercado e para muitas organizações, vejo uma verdade inquietante: Em um mundo que exige cada vez mais inovação, ousadia e a capacidade de moldar o futuro, boa parte das lideranças está presa apenas à gestão do presente, operando no modo que gosto de chamar de “sobrevivência”. Estratégia, que deveria ser o coração das decisões de uma empresa, tornou-se algo secundário, um detalhe. E isso se reflete diretamente na forma como essas empresas operam e nos resultados que alcançam.
Existe uma confusão entre Gestão e Estratégia
A confusão entre estratégia e gestão é mais comum do que deveria ser. Vejo isso frequentemente quando clientes acreditam que estão sendo estratégicos, mas, na prática, seus processos são puramente operacionais. Isso fica ainda mais evidente em empresas que buscam trabalhar com OKRs. Originalmente concebidos para conectar equipes a objetivos ambiciosos e criar alinhamento estratégico, eles acabam sendo tratados como uma simples cascata de metas e KPIs (e em alguns casos, não raros, gestão de tarefas).
É claro que esse processo mecânico de “cascatear a meta-mãe” em metas e/ou objetivos menores, seguidos de tarefas que podem ser controladas e facilmente executadas, cria a ilusão de progresso (não tenho dúvidas). Porém, ao observar mais de perto, fica evidente que os objetivos maiores — aqueles que deveriam guiar a empresa rumo ao crescimento e à inovação — se tornam secundários. Eles não têm protagonismo, e, na prática, ninguém está pensando neles.
As lideranças, muitas vezes, não têm ideia do que realmente fazer para garantir o progresso da organização. E, ironicamente, elas também não acreditam que deveriam pensar nisso. Sua preocupação está em como desdobrar metas de curto prazo e garantir que as tarefas sejam concluídas.
Mas isso não é estratégia. Isso é simplesmente gestão da sobrevivência.
Minha conclusão é que a Estratégia é um serviço para Visionários
A verdadeira estratégia exige algo raro atualmente: visão.
Ela não é apenas um exercício de planejamento de metas e alocação de recursos. Estratégia é o ato de conectar a realidade atual da organização a uma visão aspiracional de longo prazo. Exige coragem para tomar decisões difíceis, explorar o desconhecido e construir algo significativo.
Porém, para muitos líderes, assumir esse papel de visionário não é prioridade. Em vez disso, eles estão sendo orientados por bônus e recompensas de curto prazo, não por deixar um legado duradouro. Quando a motivação principal de um líder é bater metas para garantir a próxima bonificação, o futuro da organização fica em segundo plano. A construção de algo maior — algo que tenha impacto, transforme mercados e inspire pessoas — se torna uma ideia distante, quase utópica.
Essa mentalidade de recompensa imediata enfraquece a capacidade das empresas de competir em um mundo onde a inovação e a adaptação são essenciais para sobreviver. Estamos, assim, sacrificando o futuro em nome de ganhos rápidos no presente.
Liderar uma empresa exige mais do que ser um bom gestor do presente. Exige a capacidade de imaginar possibilidades que ainda não existem e ter a ousadia de traçar um caminho para alcançá-las (isso deve estar nos OKRs). No entanto, o que vemos são líderes que acreditam que sua única responsabilidade é operar dentro do que é seguro, previsível e mensurável.
Essa mentalidade é perigosa. Empresas que focam apenas no imediato acabam ignorando o potencial transformador que a estratégia pode oferecer. Elas se tornam prisioneiras do presente, enquanto os mercados mudam, os clientes evoluem e as oportunidades surgem — mas passam despercebidas.
Estratégia não é sobre gerenciar o hoje. É sobre criar o amanhã.
O que precisamos para resgatar a Estratégia?
Para mudar esse cenário, precisamos de líderes que pensem além dos bônus e das metas anuais. Precisamos de visionários, pessoas capazes de enxergar o que está além do horizonte e inspirar suas equipes a perseguirem algo maior do que apenas resultados financeiros imediatos.
Ser um visionário exige:
- Coragem: para tomar decisões difíceis e enfrentar a incerteza.
- Empatia e Pesquisas: para entender profundamente o mercado e as necessidades reais dos clientes.
- Propósito: para guiar a empresa com um senso claro de legado, algo que vá além de lucros e métricas de curto prazo.
Mais do que nunca, o mercado não precisa apenas de bons gestores. Ele clama por visionários. E, enquanto continuarmos a priorizar metas de curto prazo e recompensas imediatas, estaremos limitando nosso potencial de inovação e impacto.
Estamos em um momento crucial. A velocidade das mudanças no mundo exige lideranças que possam fazer mais do que apenas reagir ao que já aconteceu. Precisamos de líderes que moldem o futuro, que construam estratégias que criem valor real e que se comprometam com algo maior do que o próximo trimestre.
Eu sei que ser um visionário não é para qualquer pessoa, mas a pergunta que gostaria de fazer é: você está preparado para ser um visionário? Ou continuará gerindo o presente enquanto o futuro passa despercebido?
A escolha é sua, mas o legado que você deixa — ou não — depende disso.